Igreja de São João Batista de Moura – As obras de 1940 e as comemorações do Duplo Centenário.

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Igreja de São João Batista de Moura – As obras de 1940 e as comemorações do Duplo Centenário.

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Igreja de São João Batista de Moura – As obras de 1940 e as comemorações do Duplo Centenário.

Detalhes do registo

Informação não tratada arquivisticamente.

Nível de descrição

Documento simples   Documento simples

Código de referência

PT/AMMRA/DD/000005

Tipo de título

Formal

Título

Igreja de São João Batista de Moura – As obras de 1940 e as comemorações do Duplo Centenário.

Datas de produção

1936  a  1940 

Dimensão e suporte

5 documentos fotográficos - Papel

Âmbito e conteúdo

As primeiras referências à igreja de São João Batista surgem ainda no século XIV, num inventário feito no ano de 1364 por morte de D. Martim de Avelar, mestre da ordem de Avis. Pelo documento então redigido fez-se entrega das tesourarias das igrejas de São João e de Santa Maria, da vila de Moura, a Afonso Martins, clérigo, filho de Martim Miguéis. São João seria na altura uma pequena igreja, ou capela, situada na praça da vila, junto da qual se encontrava uma outra capela de invocação a Nossa Senhora das Almas. No castelo, a igreja matriz de Santa Maria tornara-se pequena para albergar o número crescente de fiéis que a ela ocorriam. Em 1455, numa tentativa de resolver o problema, D. Afonso V ordena a transferência da matriz para a igreja de São João. Na sequência desta transferência e de forma a tornar o templo mais espaçoso, a capela das Almas é aproveitada para sacristia da nova paroquial. No entanto, o espaço mostrava-se igualmente insuficiente, razão pela qual, no início do século XVI, por ordem de D. Manuel, começa a ser construída no local a actual igreja de São João Batista. A Cristóvão de Almeida é atribuída a construção da nova igreja manuelina. Também João de Morais, mestre-de-obras responsável pela construção da igreja do Espírito Santo, ali terá trabalhado no início do século XVII, na construção de uma capela na torre sineira da igreja, para nela se dizer missa aos presos da cadeia situada mesmo em frente. Na história secular desta igreja há ainda a destacar a referência a uma derrocada parcial da abóbada, ocorrida em 1708, da qual não houve vitimas a lamentar, por na altura não se encontrar ninguém no seu interior. A igreja foi alvo de obras de reedificação e reabriu ao culto a 12 de abril de 1710.A 13 de junho de 1932, através do decreto nº 21355, publicado no Diário do Governo nº 136, a igreja matriz de São João Batista é classificada como monumento nacional. O autor da proposta de classificação havia sido o escultor Diogo de Macedo, amigo do Arquiteto Jorge Segurado e membro do Conselho Superior de Belas Artes. Diogo de Macedo tinha na altura um acordo com a Comissão de Iniciativa e Turismo da Vila de Moura, para a execução de um baixo-relevo destinado a embelezar o novo jardim, a construir junto à muralha de Santa Catarina no prolongamento do já existente. Jorge Segurado, para além de ter concebido o projeto do novo mercado de Moura, era também autor do projeto para prolongamento do jardim. A sua relação com Moura já vinha de trás. Anos antes, em 1929, publicara um estudo histórico e arquitetónico sobre a igreja de São João Batista, onde ao descrever a igreja pelo seu exterior refere: “Encostando-se em parte às paredes da igreja nascente e sul alojam-se térreas casas de habitação que a afrontam. Deviam ser demolidas.”Curiosamente, também em 1929 era instituída a Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (D.G.E.M.N.). A nova instituição via no Património Cultural, nomeadamente nos monumentos nacionais um valor educativo a ser explorado. Para melhor se extrair esse valor educativo deviam os monumentos ser restaurados e esses restauros deviam ser feitos “ de modo a integrar o monumento na sua beleza primitiva expurgando-o de excrescências posteriores…, a não ser que o valor artístico das contribuições dos vários momentos históricos justifique a sua permanência”. Seria precisamente nestes princípios então enunciados pela D.G.E.M.N., que assentaria o restauro da igreja matriz de Moura realizado uma década depois. Em 1940 comemoravam-se os oitocentos anos da fundação de Portugal e os trezentos anos da Restauração da Independência. No Baixo Alentejo a escolha para palco das comemorações do Duplo Centenário recaíra sobre Moura, pelo que vários monumentos foram alvo de intervenções de restauro e embelezamento, entre eles a igreja de São João Batista e o Castelo de Moura. As obras seguiram a linha orientadora da D.G.E.M.N. de devolução dos monumentos à sua originalidade. Foram então adquiridas para posterior demolição várias moradias situadas no Castelo e junto à igreja de São João Batista.Em 18 de novembro de 1939 a Câmara, presidida pelo Dr. Fialho Pinto, envia à Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais uma proposta de demolição de seis moradias para desafrontamento da igreja de São João Batista. A proposta, que incluía a remoção dos entulhos e um seguro para o pessoal operário, tinha o valor de dez mil escudos.Estas obras ficariam para sempre documentadas através do registo fotográfico efetuado pelo fotógrafo Zambrano Gomes. O Arquivo Municipal de Moura é detentor de três fotografias, que colocamos agora em destaque, onde podemos observar as obras de demolição das moradias junto a São João, bem como as obras efetuadas na Capela de Ruy Lourenço da Silveira, no interior do templo. A estas juntamos mais duas fotos do mesmo autor tiradas pouco tempo antes das obras de demolição, onde se observam algumas estruturas anexas à igreja, bem como a cúpula que encimava a torre sineira e que também foi demolida.As comemorações do Duplo Centenário decorreram na sede de concelho e incluíram uma visita à matriz de Safara e a Santo Aleixo, onde houve igualmente festa e inauguração da ermida de Santo António, acontecimento que ficaria também registado por Zambrano Gomes. Âmbito e conteúdo elaborado por Octávio Patrício (CMMRA), com recurso às seguintes fontes e bibliografia:- Arquivo Municipal de Moura, Comissão de Iniciativa e Turismo, correspondência expedida- 1936, ui0007.- Arquivo Municipal de Moura, Câmara Municipal de Moura, Actas das Vereações-1937/1938, dc00080, f.5 e 5v.- Arquivo Municipal de Moura, Câmara Municipal de Moura, copiador de correspondência expedida -1939, ui0005.- Arquivo Municipal de Moura, Câmara Municipal de Moura, copiador de correspondência expedida -1939, ui0014.-SEGURADO, Jorge - A Igreja de São João de Moura - da sua arquitetura e da sua história, Lisboa, 1929.-CABRAL, Luiz de Almeida- História da Notável Vila de Moura, Câmara Municipal de Moura, 1991.-LOPES, Margarida dos Santos- O Património Cultural e o Estado Português- contributos para a história das instituições oficiais do estado português em matéria de património (mestrado em Estudos do Património - UAB), 2018, disponível na internet em http://hdl.handle.net/10400.2/7426

Cota descritiva

ZG-FM/A/C/d000011/cx001

Idioma e escrita

Português

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Data de publicação

21/06/2021 18:08:38