Destaques

Neste espaço encontrará alguns dos documentos do nosso acervo, que pelo seu interessante conteúdo merecem ser evidenciados. Poderá consultar aqui uma breve descrição do documento, bem como o documento na íntegra, clicando sobre a imagem.

Posturas Municipais

Previstas nas sucessivas Ordenações do Reino (Afonsinas, Manuelinas e Filipinas), era aos vereadores que, após consulta aos homens bons e juízes da terra, cabia a elaboração e aprovação das posturas municipais.

Espécie de regulamento da vida no concelho, dividido em quatro grandes áreas (posturas da renda da vila; posturas da renda dos olivais e vinhas; posturas da renda das medidas; posturas da renda do campo e talhos), ali ficavam registados os deveres dos munícipes na sua vida em comunidade, bem como as penas a que ficavam sujeitos caso não cumprissem.

O livro de posturas mais antigo do concelho de Moura, um treslado de 3 de junho de 1730, contendo as posturas municipais confirmadas em vereação realizada a 3 de outubro de 1693, pode ser consultado aqui.

Sentença dos Távoras

A 31 de janeiro de 1759, o Dr. Juiz de Fora da Vila de Moura, recebeu uma carta precatória proveniente da Ouvidoria da Comarca de Beja, a ordenar-lhe que mandasse publicar na praça e mais lugares públicos uma sentença incorporada na referida carta.

Tratava-se da sentença dos Távoras, que após um processo sumário que apurou os responsáveis pelo atentado a D. José, ocorrido a 3 de setembro de 1758, condenou à morte os marqueses de Távora, D. Francisco de Assis, e sua esposa D. Leonor de Távora, bem como os seus filhos José Maria e Luís Bernardo de Távora. Pela mesma sentença, foram igualmente condenados à pena capital, D. José Mascarenhas (Duque de Aveiro), D. Jerónimo de Ataíde (Conde da Atouguia), Manuel Alvares Ferreira (guarda roupa do Duque de Aveiro), Brás Romeiro (Cabo da Esquadra da Companhia de Luís Bernardo de Távora), João Miguel (moço de companhia do Duque de Aveiro) e José Policarpo de Azevedo, que andava foragido.

Na carta precatória recebida pelo Dr. Juiz de Fora da vila de Moura, era ainda solicitado que no caso de existirem no concelho bens pertencentes aos condenados, os mesmos fossem declarados no prazo de oito dias, e por último, que mais ninguém tivesse a ousadia de usar o apelido de Távora, nem assinar como tal.

A sentença dos marqueses de Távora, pode ser consultada aqui.

Livro de Nossa Senhora das Almas que serve este ano de 1648, até 5 de agosto de 1649

A Irmandade de Nossa Senhora das Almas de Moura, era uma associação de leigos, de cariz religioso, instituída na igreja paroquial de São João Batista, que tinha como funções solenes a realização da festa de Nossa Senhora das Almas, e mandar rezar missas pelos irmãos defuntos da irmandade.

Na igreja de S. João possuíam uma capela de invocação a Nossa Senhora das Almas, capela essa que terá funcionado como sacristia aquando da construção da igreja, no início do século XVI.

Em 1650, Rui Lourenço da Silveyra e sua mulher, são autorizados a ser padroeiros da dita capela e a construírem nela jazigo para ele e para os seus sucessores.

Segundo o Frei Pedro Lima Bastos, em meados do século XVIII, das noves irmandades instituídas na Igreja de S. João Baptista, era a das Almas a que mais se destacava pela sua atividade:

«Entre todas excede a das Almas que todos os anos passam de duas mil as missas que manda dizer pelas mesmas, por xigar o seu rendimento huns anos por outros quaze a dous mil cruzados. A expensas da Irmandade se alcançou ser o seu altar previllegiado, que he o segundo collateral da parte da Epístolla a onde está o Santíssimo Sacramento…» (PÁSCOA, Marta Cristina; Memórias paroquiais da vila de Moura e seu termo, 1ªed., Câmara Municipal de Moura, Moura, 2003, p.47).

Em 1702, o termo de inventário dos livros da Irmandade indica-nos que tinham em sua posse vários livros, entre os quais se encontravam vinte e três livros de receita e despesa. Até nós apenas chegaram seis dos referidos vinte e três livros, sendo este que aqui destacamos o mais antigo (1648-1649).

Highlighted documents

Actas das Vereações - 1655/1659

Thumb Actas das Vereações - 1655/1659

Reference code: PT/AMMRA/CMMRA/B-A/001/00001

Unit dates: 1655-01-01/1659-12-30

Scope and content: Documento composto por três cadernos que restam de um livro de vereações de meados do século XVII. São portanto o conjunto de actas de vereações mais antigo que chegou até nós. Aqui ficaram registados para além de actas das vereações alguns termos de juramento, autos de posse e autos de correição.

Liga de Foot-Ball e Desportos de Moura - Inauguração do Campo.

Thumb Liga de Foot-Ball e Desportos de Moura - Inaugura&

Reference code: PT/AMMRA/DD/000002

Unit dates: 1926-02-26/1926-02-26

Scope and content: Segundo relata o Dr. José da Cruz Fialho, no seu livro Memórias dos Meus Passos, editado em 1994 pela Câmara Municipal de Moura, a história do campo de futebol Maria Vitória remonta ao verão de 1925, quando um grupo de rapazes resolveu "invadir" uma courela por detrás do quintal do Hotel de Moura, para primeiramente jogarem ténis que, por ser um «desporto caro», rapidamente foi abandonado e trocado pelo futebol. A courela tinha umas dimensões consideráveis, mas com um senão: era atravessada por uma fossa que servia para a empresa da Água de Castelo despejar as garrafas e caixotes inutilizados, o que naturalmente dificultava o desempenho dos jovens jogadores. O Dr. Marcelino Fialho Gomes, que à época era presidente da Direção da Liga de Foot-Ball e Desportos de Moura, entusiasmado com o interesse que os rapazes demonstravam pelo futebol, diligenciou para que fosse tapada a fossa que atravessava o terreno, o que rapidamente aconteceu recorrendo-se a entulhos provenientes de obras a decorrer na vila. Entretanto o mesmo Dr. Marcelino Fialho Gomes assumiria o cargo de Presidente da Câmara, e rapidamente o campo foi vedado, foram anunciadas melhorias e uma inauguração oficial, que viria a ocorrer a 26 de Dezembro de 1926. Dessa inauguração seria lavrado um auto do qual possuímos um exemplar no Arquivo Histórico Municipal, auto esse que agora aqui colocamos em destaque. O campo desportivo então inaugurado ficaria para sempre conhecido por Campo de Jogos Maria Vitória em homenagem às duas madrinhas de batismo, D. Maria Manoela d`Oliveira Rego Chaves, filha do Coronel Rego Chaves, governador de Angola e D. Vitória Camacho Lúcio, afilhada do Dr. Marcelino Fialho Gomes e que viria mais tarde a ser esposa do Dr. José da Cruz Fialho, um dos rapazes que em 1925 decidiram "invadir" a courela por detrás do Grande Hotel. A história deste campo ficaria inevitavelmente associada à história dos clubes que o utilizaram ao longo de mais de sete décadas. Estamos a falar dos clubes mencionados no auto: Moura Foot-Ball Club; 5 de Outubro Foot-Ball Club; Sport 9 de Abril, mas também de outros como o Luso Sport Clube, o Sport Lisboa e Moura e o Sporting Clube Mourense. Por último, aquele que todos nós ainda hoje associamos ao «velhinho» Maria Vitória, o Moura Atlético Clube, fundado a 17 de Janeiro de 1942, que utilizaria este recinto até à inauguração do novo complexo desportivo a 26 de Julho de 2000.

Moura - Central Eléctrica e Igreja de S. Francisco

Thumb Moura - Central Eléctrica e Igreja de S. Fran

Reference code: PT/AMMRA/ZG-FM/A-B/000003

Unit dates: 1936/1936

Scope and content: Fotografia de Segundo Zambrano Gomez, que retrata a recém-inaugurada (à data da foto) Central Elétrica de Moura, tendo por fundo a igreja de São Francisco, construída em meados do século XVI. Trata-se de uma das muitas fotografias tirada por Zambrano Gomez, e que hoje integram o espólio do Arquivo Municipal de Moura. Segundo Zambrano Gomez, filho de António Zambrano e Antónia Gomez, nasceu em Oliva de La Frontera, província de Badajoz, a 24 de março de 1883. Depois de ter trabalhado em Lisboa onde realizou a primeira encomenda para a Câmara de Moura, estabeleceu-se em Moura, no n.º 45 da Rua de Arouche, e posteriormente na rua Santana e Costa n.º 39. Sendo raras as encomendas, vivia essencialmente da fotografia tipo passe. Para além do valioso trabalho que realizou para a Câmara de Moura, de que chegou até nós a coleção aqui divulgada, terá efetuado um trabalho esporádico para o Ministério do Interior, aquando da queda de um avião alemão nas imediações de Amareleja, em plena 2ª Guerra Mundial. Ainda que de forma fortuita, terá também fotografado em Serpa, Barrancos e Lagos, pois existem referências a trabalhos de sua autoria nestas localidades. Das mais de duas décadas que viveu em Moura, ficou-nos um conjunto ímpar de fotografias e postais, que retrata de forma exemplar a vila e concelho dos anos 30 e 40 do século XX, com os seus monumentos e o seu quotidiano muito próprio, que muitos ainda recordam com saudade quando visualizam as imagens agora divulgadas pelo Arquivo Municipal.

Registo da petição dos padres da Tomina e licença da Câmara e terra que se lhe deu para fundação do novo convento.

Thumb Registo da petição dos padres da Tomina

Reference code: PT/AMMRA/DD/000003

Unit dates: 1721-05-07/1721-05-18

Scope and content: O convento da Tomina foi fundado em finais do século XVII, por Manuel de Beça Leal, natural da freguesia de Nespereira, à época pertencente ao termo de Arrifana de Sousa, hoje Penafiel. Letrado e filho do padre da freguesia, Beça Leal cedo embarcou para o Brasil, onde esteve alguns anos. Após regressar decide passar pelo Alentejo, em busca de fortuna. Em Alcácer do Sal contacta com os ermitões de Santo Cristo dos Mártires e interessado pelos seus ideais decide juntar-se a eles. Algum tempo depois ter-se-á desentendido com os seus companheiros e decide procurar um local ermo onde pudesse dar continuidade à sua vida de eremita. Acompanhado por Manuel Jorge, chega assim a Santo Aleixo, e instala-se nas suas imediações, num sítio ao tempo inabitável, a que chamavam da Tomina. Aí construíram uma choça de mato, onde se abrigaram nos primeiros tempos e onde rezavam. Não tardou que se tornassem populares entre as gentes de Santo Aleixo que, atraídos pela curiosidade e pela religiosidade que os mesmos transmitiam, os ajudam a construir uma pequena capela, que depois terá sido ampliada e transformada em igreja. Ao mesmo tempo que o convento toma forma, sempre com ajuda das gentes de Santo Aleixo, os dois amigos ordenam-se padres: Manuel Beça Leal passa a ser o padre Manuel Jesus Maria e Manuel Jorge, que o acompanhara desde Alcácer do Sal, o padre José do Rosário. A congregação da Tomina chegou a ser constituída por dezoito membros, entre sacerdotes e irmãos leigos. A atração crescente das gentes de Santo Aleixo pela Tomina retirou algum protagonismo, e pior, muitas ofertas, à igreja Paroquial da freguesia, que seguiam assim para o novo convento. Cientes da influência religiosa que tinham sobre as comunidades locais mais próximas, mas também da precaridade das primeiras construções que haviam efetuado, os padres do ermo de Nossa Senhora das Necessidades da Tomina dirigiram uma petição ao Rei, a solicitar autorização para reedificarem algumas obras do convento, que ameaçavam ruína e poderem cercar o terreno que lhe servia de cerca por, alegavam «o sitio em que vivem ser muito solitário e exposto aos insultos de muitos lobos e outros animais ferozes e agrestes…». D. Pedro II deferiu o pedido, por alvará de 11 de maio de 1702, autorizando que acrescentassem o edifício de acordo com as suas necessidades e cercassem o terreno. Pelo mesmo alvará autorizou igualmente a admissão de mais quatro sujeitos para a congregação, a juntar aos oito que a compunham. O problema não terá ficado solucionado, pois volvidos dez anos, e de acordo com o documento que possuímos no nosso Arquivo Municipal e que agora colocamos em destaque, os Padres da Tomina decidem mesmo edificar um novo convento, nas proximidades do local onde haviam erguido o primeiro. O padre diretor da congregação e os mais padres, fundamentavam o pedido com base na precaridade das primeiras construções, que por serem de pedra e barro, estavam constantemente a vir abaixo. O crescente número de devotos que se deslocavam em romagem a N. S. das Necessidades, era também um dos motivos invocados no pedido. Em resposta à petição, a Câmara passa licença para poderem construir o novo convento e para o efeito cede um terreno em o sítio de Paes Joannes, local de abundância de água e com terreno suficiente para a cerca. A dez de maio de 1721, o Procurador do Concelho, Rodrigo Gomes Franco, desloca-se à Tomina e demarca o terreno nos seguintes termos: «- Da parte de cima do convento direito aos Pocilgões que estão à vista do mesmo Convento, vai partindo com Pay Joannes. Dahí vai à volta, aonde está o primeiro marco, passando direito ao hístamo alto, à vista de Murtigâo. Dahí ao outro alto que está fronteiro e dahí cortando ao Norte, direito ao outro marco que está por baixo de Vilhares, junto ao caminho que vai para as passadeiras das Juntas de Rio de Gamos. Dahí cortando todo o caminho direito às ditas passadeiras e entrefeição da terra que os ditos padres deixão e não hande usar, conforme licença da Câmara atrás, lhe fica um pedasso de terra que vay do último marco athé às passadeiras de Rio de Gamos.» À licença passada pela Câmara de Moura em 1721, e confirmada posteriormente por D. João V, por alvará datado de 14 de julho de 1722 (li.61, fl.98), juntamos duas imagens do que resta da construção do novo convento da Tomina (hoje em ruínas).